Uma carta sobre o disco
Piano de Parede nasceu num momento de travessia.
Comecei a produzir esse álbum em julho de 2024, quando vivi um tempo de muita mudança por dentro e por fora. Depois de anos de estrada, de muitos encontros e de uma longa caminhada ao lado do Capital Inicial, eu sentia que era hora de olhar com mais verdade para a minha própria voz, para as minhas canções e para o caminho que eu queria seguir como artista solo.
O disco foi surgindo assim: quase como quem vai escrevendo um diário sem perceber. Algumas músicas já existiam. Outras nasceram no meio do processo. E, aos poucos, tudo começou a se organizar como uma espécie de retrato da minha vida artística e pessoal naquele instante. Tem amor, tem dúvida, tem reencontro, tem espiritualidade, tem crítica, tem sombra, tem luz. Tem transição. Tem escolha. Tem música como abrigo e como direção.
As primeiras gravações começaram de forma muito simples e muito verdadeira, dentro da minha própria casa. Voz, piano, guitarra, computador. Foi nesse ambiente íntimo que o álbum começou a respirar. Depois, ele cresceu com o cuidado, a sensibilidade e a visão do Tiago Djape Pallone, que me convidou a transformar aquelas canções em disco e assinou a produção musical com uma escuta profundamente generosa.
No caminho, o álbum foi ganhando novos contornos com a presença de músicos e amigos queridos, desses que chegam não só para tocar, mas para deixar alma nas faixas. E assim, entre encontros, sincronicidades e muita entrega, Piano de Parede foi se tornando exatamente o que precisava ser.
No fim, entendi que esse não era só um disco de estreia solo. Era também uma afirmação. Um reencontro comigo mesmo. Uma forma de dizer, em som, que a música continua sendo a minha casa.
Ele foi lançado no dia 22 de abril, no meu aniversário, e é muito especial poder compartilhar esse trabalho aqui na Qobuz. Porque este é um álbum pensado nos detalhes, no respiro, no timbre, na dinâmica e na emoção de cada faixa. Um disco feito para ser ouvido com presença.
Se você chegou até aqui, meu convite é simples: ouça com calma. Esse trabalho foi feito assim.